"Covarde e aflita"
No quarto meu, ao lado da janela,
Dormia um sono plácido e feliz,
Quando me acorda alguem chorando, e diz:
"Não me conheces mais Gentil?... Sou Ela!..."
Reconhecer, atônito, não quis....
Nem seria possível fosse aquela
Que ontem partiu, jovem, ditosa e bela,
Aquela mesma, tímida e infeliz.
Ela, seus olhos em meus olhos fita....
Crispam-lhe os lábios, e enxugando o rosto,
Tenta-me o sexo, covarde e aflita.
Então senti que só d'ali por diante,
Não me haveria mais nenhum desgosto,
Como o desgosto meu daquele instante.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
terça-feira, 22 de setembro de 2009
"Serras, e o Sonho" por Gentil Faria
"Serras, e o Sonho"
As serras, as colinas, e as estrelas,
Quanto mais longe a nossa vista alcance-as,
Mais belas nos parecem nas distâncias,
Pois sempre, ao longe, desejamos vê-las.
Mas, se mais perto as pretendermos ver,
(A bela serra, ou a colina altiva),
Vê-se que nem tão bela, e nem tão viva
É a cor real que pareciam ter.
E até sentimos, lhes galgando os cimos,
Que nem mais são aquelas que antes vimos,
Pois não as vemos como as vimos antes.
E assim me tendo sido sempre o Sonho,
Se belo nunca foi, senão distante,
Então, por isto, é que distante o ponho.
Por Gentil Faria
As serras, as colinas, e as estrelas,
Quanto mais longe a nossa vista alcance-as,
Mais belas nos parecem nas distâncias,
Pois sempre, ao longe, desejamos vê-las.
Mas, se mais perto as pretendermos ver,
(A bela serra, ou a colina altiva),
Vê-se que nem tão bela, e nem tão viva
É a cor real que pareciam ter.
E até sentimos, lhes galgando os cimos,
Que nem mais são aquelas que antes vimos,
Pois não as vemos como as vimos antes.
E assim me tendo sido sempre o Sonho,
Se belo nunca foi, senão distante,
Então, por isto, é que distante o ponho.
Por Gentil Faria
"Mulher ideal" por Gentil Faria
"Mulher ideal"
"..........larga essa fruta, larga,pois só
porque pudeste enfim colhê-la,perdeu
todo sabor, e fez-se amarga"(Júlio César da Silva)
Desde tempos sem fim, que em busca errante,
Eu venho te seguindo o rastro incerto;
Tão linda, mas distante quando perto,
Mais linda e perto, quanto mais distante.
Buscar-te sempre, sempre é meu deleite,
Mas, quando essa busca vã se parte,
Então eu sinto imensamente amar-te,
Por isso mesmo, eternamente, amei-te.
Muito mais se ama o amor que se recusa,
Pois o outro é fruta fácil e apanhada,
Que o vate figurou na sua musa.
Só de miragens que esse amor se junca:
- Vivo a graça que nunca me foi dada,
Dos beijos teus que não mim destes nunca.
Por Gentil Faria
"..........larga essa fruta, larga,pois só
porque pudeste enfim colhê-la,perdeu
todo sabor, e fez-se amarga"(Júlio César da Silva)
Desde tempos sem fim, que em busca errante,
Eu venho te seguindo o rastro incerto;
Tão linda, mas distante quando perto,
Mais linda e perto, quanto mais distante.
Buscar-te sempre, sempre é meu deleite,
Mas, quando essa busca vã se parte,
Então eu sinto imensamente amar-te,
Por isso mesmo, eternamente, amei-te.
Muito mais se ama o amor que se recusa,
Pois o outro é fruta fácil e apanhada,
Que o vate figurou na sua musa.
Só de miragens que esse amor se junca:
- Vivo a graça que nunca me foi dada,
Dos beijos teus que não mim destes nunca.
Por Gentil Faria
"Manso regato" por Gentil Faria
"Manso regato"
Corriam nossas horas docemente
–Manso regato á sombra dos ipês...
Parecia que Deus o mundo fez
De amor apenas, de afeições somente,
E me deixavas mesmo com certeza,
(E como dói-me agora me lembrar)
Toda a fortuna ao me sentir amar
Em instantes supremos de beleza.
Depois, porém, amiga, bem depois,
Um desajuste, intolerante e intenso,
Nos sepultou, de vez o amor dos dois...
E hoje só vemos que não mais nos presta
Nada que resta desse amor imenso,
Nesta amargura imensa que nos resta...
Por Gentil Faria
Corriam nossas horas docemente
–Manso regato á sombra dos ipês...
Parecia que Deus o mundo fez
De amor apenas, de afeições somente,
E me deixavas mesmo com certeza,
(E como dói-me agora me lembrar)
Toda a fortuna ao me sentir amar
Em instantes supremos de beleza.
Depois, porém, amiga, bem depois,
Um desajuste, intolerante e intenso,
Nos sepultou, de vez o amor dos dois...
E hoje só vemos que não mais nos presta
Nada que resta desse amor imenso,
Nesta amargura imensa que nos resta...
Por Gentil Faria
"Deusa pagã" por Gentil Faria
"Deusa pagã"
Deusa pagã, dos pés até o cabelo,
Dos Céus, com flores, a nudez te enleia,
E abaixo dos quadris, com loiro pêlo,
Por onde o pássaro do amor gorjeia.
E algo minh'alma decifrar procura
Neste feitiço que em teu corpo encanta
–Se os preconceitos te exigiram pura,
Pelo pecado te tornaste santa...
E ao ver o cio seios teus inflando,
Eu sinto o meu desejo penetrando
Os lindos vales da volúpia tua.
E tu, que a me te dás, também despida,
Se és, apenas mulher, quando vestida,
Em Deusa te transformas, quando nua.
Por Gentil Faria
Deusa pagã, dos pés até o cabelo,
Dos Céus, com flores, a nudez te enleia,
E abaixo dos quadris, com loiro pêlo,
Por onde o pássaro do amor gorjeia.
E algo minh'alma decifrar procura
Neste feitiço que em teu corpo encanta
–Se os preconceitos te exigiram pura,
Pelo pecado te tornaste santa...
E ao ver o cio seios teus inflando,
Eu sinto o meu desejo penetrando
Os lindos vales da volúpia tua.
E tu, que a me te dás, também despida,
Se és, apenas mulher, quando vestida,
Em Deusa te transformas, quando nua.
Por Gentil Faria
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
"Ipê Florido" por Gentil Faria
"Ipê Florido"
Ipê florido, meu desditoso ipê,
Sonhando um sonho em flores nas vertentes,
Sem um fruto sequer, e sem sementes,
Como pareço um pouco com você!...
Tão Viril, tão robusto, em meio à selva,
Nada de seu à desdobrar-lhe a sorte,
As suas flores me parecem morte,
Pois vão caindo estéreis pela relva.
Mas, contudo isto, alguém, por entre dores,
Alguém o inveja, em seus anseios falhos,
Vertendo suas lágrimas de flores...
Pois eu também... Também, exausto e exangue,
Sonhando um fruto a me pender dos galhos.
Ah! Se eu chorasse flores em vez de sangue...
Gentil Faria
Ipê florido, meu desditoso ipê,
Sonhando um sonho em flores nas vertentes,
Sem um fruto sequer, e sem sementes,
Como pareço um pouco com você!...
Tão Viril, tão robusto, em meio à selva,
Nada de seu à desdobrar-lhe a sorte,
As suas flores me parecem morte,
Pois vão caindo estéreis pela relva.
Mas, contudo isto, alguém, por entre dores,
Alguém o inveja, em seus anseios falhos,
Vertendo suas lágrimas de flores...
Pois eu também... Também, exausto e exangue,
Sonhando um fruto a me pender dos galhos.
Ah! Se eu chorasse flores em vez de sangue...
Gentil Faria
"Gemendo ocasos" por Gentil Faria
"Gemendo ocasos"
Gemendo ocasos, pela mesma estrada
De onde voaram beijos e carinhos,
Triste ave do seu bando desgarrada,
Deplora o velho a solidão dos ninhos.
Com olhos tristes que a velhice embaça,
Procura ver atrás o que ficou...
Mas o passado é cinzas e fumaça
Do cigarro de amores que fumou.
E nesta solidão que tanto o oprime
Deixando longe os seus florões perdidos,
Quando o sonho é pecado e amar é crime,
O velho chora... E chora muito mais,
Nem tanto mais pelos amores idos,
Mas por outros que não virão jamais...
Por Gentil Faria
Gemendo ocasos, pela mesma estrada
De onde voaram beijos e carinhos,
Triste ave do seu bando desgarrada,
Deplora o velho a solidão dos ninhos.
Com olhos tristes que a velhice embaça,
Procura ver atrás o que ficou...
Mas o passado é cinzas e fumaça
Do cigarro de amores que fumou.
E nesta solidão que tanto o oprime
Deixando longe os seus florões perdidos,
Quando o sonho é pecado e amar é crime,
O velho chora... E chora muito mais,
Nem tanto mais pelos amores idos,
Mas por outros que não virão jamais...
Por Gentil Faria
Assinar:
Postagens (Atom)
