"Delirando"
Plangem distantes velhos campanários...
Seus olhos ardem, e vê estranhas cousas...
Pisos da casa lhe parecem lousas,
Viram-lhe gente os sentimentos vários.
Na arca do peito o coração se agita,
E a confusão lhe enche a mansão vazia...
Vozes, tumulto, impressões e orgia...
O amor suspira e o desespero grita.
Delira em prantos... E escapar procura
Ao pânico da cena que o tortura,
E que a loucura mais lhe expande e aguça.
Mas – indo ao quarto onde a saudade o chama,
Um filho vê, sorrindo, em cada cama,
Enquanto a cama de casal soluça...
Por Gentil Faria
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
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