segunda-feira, 21 de setembro de 2009

"Perfectibilidade" por Gentil Faria


"O ideal de perfectibilidade"

Um grande exemplo, ilustrando sábia lição. MiguelÂngelo (Miguelangelo Buonarrotti), havia dado os últimos retoques na estátua de Moisés. Já cansado e trêmulo pára um pouco e observa, desde o conjunto as minúcias. De um lado do rosto, a estátua parecia sorrir, feliz e descontraída: do outro lado, porém, parecia chorar convulsivamente.Estupefato, Miguel não se contém de incontrolável emoção e com as mãos nos ombros da estátua, exclama, voz embargada: - Moisés, Moisés! Se tu sorris, se tu choras, por que também não falas? Transtornado se retira cambaleante para um canapé próximo.
Mas ao sentar-se, põe a cabeça entre as mãos, e se põe a chorar, também. Seus amigos, lhe abrindo a porta da casa se deparam logo com a obra prima, símbolo de perfeição, um sublime engenho de um grande gênio. Mas ao ver Miguel em transe de pranto, atônitos, perplexos, não entendem bem, e perguntam:– Por que choras Miguel, se hoje é o dia de estares contente e feliz, conseguindo o máximo, a perfeição dentro de sua arte genial?– É por isso mesmo que eu choro. - Por que, por que? Perguntam. - Porque jamais conseguirei algo melhor, responde o gênio.

Grande lição para o seu tempo, e para toda a posteridade. O renascentista apenas pretendeu explicar que a perfeição, concebida em termos temporais, ou em termos da limitada inteligência humana,não exclui o ideal de perfectibilidade. Esse ideal que nos deve conduzir pela eternidade além, até a Perfeição Suprema que chamamos de Deus; pelo fenômeno, e pelo mistério imponderável e transcendental da UNIFICAÇÃO.


Por Gentil Faria


São Paulo – outubro de 1997, em artigo escrito para a revista Primeiravia

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