segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Gentil Faria - Dados biográficos...

(Gentil Faria e Jucelino Kubitschek de Oliveira)


"Dolorosa despedida"

Meu poeta maior, parceiro, amigo, conselheiro e irmão – meu pai! Para unir-se a Deus, partiu rumo á "eternidade além", como dizia, na busca do ideal de perfeição, pelo fenômeno e pelo mistério imponderável e transcendental da UNIFICAÇÃO. Uma enorme saudade toma conta agora dos corações e mentes dos que ficaram. Hoje, no momento em que escrevo, 21 de abril, completaria 75 anos. Sempre Gentil, no nome e na conduta por toda uma vida, deixou-nos, coincidentemente, no dia e horário(6h) de seu aniversário, abandonando o corpo físico enquanto dormia.

Um clássico na poesia, arrebatado nos discursos, contemporâneo de Darcy Ribeiro na Faculdade de Direito em Belo Horizonte, intelectual de muitos recursos de linguagem. Jucelino Kubitschek de Oliveira, em campanha para o governo mineiro, convenceu o poeta a tomar partido político, uma única vez, convidando-o por ir aos rincões das Gerais como seu orador, destacando-o posteriormente, em escritos autobiográficos, como o jovem de maior talento nas terras das Alterosas.

Deixou um livro de poesia, "Sol Manhã", e uma centena de poemas soltos, pensamentos e crônicas. Declamava, também, suas crônicas e poesias em um programa da Rádio Piumhi-MG. Desde menino, um prodígio. Sofreu o desencanto de intelectual diante dos governos medíocres que se sucederam no País pós-64. Ao reler seus escritos, como "O ideal de perfectibilidade", artigo elaborado recentemente para a revista Primeiravia, poesias e crônicas, coloco-me a recordar de seus sábios conselhos, espelhados nos exemplos do Bem e do Amor que lhe pautaram a vida inteira. Belas são as minhas lembranças do meu super-homem por demais humano.

E aqui, na solidão de minha dor, na distância da minha Belo Horizonte, onde ele se foi, trago a memória um de seus poemas e proclamo a chamada:

– Meu querido Gentil Faria! Gentil!

"Mães, por que transcendem Tanto?"

'De Deus bem perto, mães, as colocamos
O que se pensa serem não serão;
E, nunca sendo mesmo o que pensamos,
É porque, bem mais que as supomos são.

Padrão humano, as mães que o céu requinta,
Se alguém no mundo ousara descrevê-las,
Jamais o fez, porque faltara a tinta
Que usam os anjos em painéis de estrelas.

E tu, bondosa mãe, que as minhas dores
Tantas vezes curastes com ternuras,
E me punindo a ingratidão com flores,

Que hoje, de Deus, a sagração apanhes
Não te coroam véus de noivas puras,
Porque somente os Céus coroam mães."

- Logo me apercebo, o meu poeta não se foi, ele permanece... e sinto na inteireza de meu ser a sua doce presença... - "Presente"

Por Anselmo Soares Faria (Anselmo Picardi)

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